terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Entrevista Com Joaldo Cavalcante


Entrevista Joaldo Cavalcante

Joaldo fala sobre sua relação com Antônio Albuquerque, narrando sua entrada no palácio, como chegou a lhe dizer uma vez:
“Você chega com esse jeitão, parece aqueles filmes de faroeste, subindo as escadarias do Palácio, mão aberta, observa a gente de longe, se prepara para cumprimentar, aquece as falanges e quando pega na sua mão, olha no seu olho e faz aquele: ‘SECRETÁRIO!’, eu fazia: ‘PRESIDENTE!’ e acabava aí. Eu dizia: Olha, a sua fama é a fama do ‘Tonho Tabica’ você criou algo para tentar fustigar uma coisa que vive fustigando politicamente você permanentemente, você não pode vangloriar-se dessa coisa”.

Joaldo afirma que Albuquerque abriu espaço para o diálogo para construir um projeto de comunicação e segundo Joaldo, isso foi tão verdadeiro que Antônio Albuquerque acabou virando interlocutor das categorias dos trabalhadores do setor público de Alagoas e viu muitas vezes Albuquerque ir ao 10° andar da Secretaria da Fazenda negociar com os Sem Terra para eles saírem e que tamanha era a falta de interlocução dos tucanos no primeiro ano de governo em 2007, que iam ao SINTEAL, o pessoal da Secretaria da Fazenda, todos os Sindicatos, para abrir um diálogo, já que o Governo não dialogava absolutamente nada.

Sobre a fundação da TV Assembléia, Joaldo explica o tipo de envolvimento com a Net, diz que esta empresa, anteriormente chamada de Big TV;
“nada mais é do que uma hospedaria de canais, e descobrimos que a operadora tinha em sua prateleira um canal à disposição não há nenhum investimento na Net. É obrigação por Lei Federal de ceder o canal ao Legislativo, nós apenas requeremos a ele, onde funciona a operadora, divide-se com o Legislativo municipal.”
O entrevistado fala sobre o projeto de colocar a TV Assembléia como digital aberta em Maceió:
“A interlocução já começou, tem um processo já tramitando no Senado Federal, eu quero ver se a gente avança para abrir o canal, a TV Senado vem aberta digitalmente para Maceió. Instalaria o seu transmissor no IZP junto ao canal digital da TV Senado com a sua programação, abre-se um canal pleno pra gente e aí agente joga essa programação da forma mais democrática possível”.
Em seguida, Joaldo ressalta a importância da TV assembléia para a sociedade alagoana, ressaltando a divulgação dos artistas locais:
“Eu acredito muito, mesmo hoje com problemas aqui e ali, no papel que a TV Assembléia desempenha para a sociedade, a regionalização da produção a capacidade de abrir espaço para o músico alagoano como a gente faz. Gravamos shows, tem bandas que não tem condições de sequer, ter um portifólio e apresentar a um apresentador, pois a gente grava e dá um master para a banda, pra eles reproduzirem e colocamos o show deles no ar. Pode conversar com todos eles tem espaço.”
Além do apoio a músicos alagoanos, Cavalcante salientou também a importante iniciativa de digitalizar fitas com entrevistas de grandes personalidades de destaque nas mais variadas áreas como Milton Ênio, Ibi Gato, entre outros, para que virem fonte de consulta em instituições como o MISA e outras que abram as portas para a pesquisa.
            Joaldo conta como estabeleceu uma relação de respeito mútuo com Antônio Albuquerque.
Houve um momento em que a Assembléia Legislativa passava por uma obra de ampliamento do prédio, o Sexta Feira e o Deputado Judson Cabral ficaram responsáveis pela fiscalização da obra, por ambos serem engenheiros, e segundo Joaldo, isso era pauta, na época Judson estava em um processo de confronto com o Parlamento. Em um momento de “temperaturas mais altas”, já tinha passado a operação taturana e foi ao ar entrevistas com Kartia Born, desancando o processo naquelas questões policiais e também foi ao ar o Judson, cobrando sobre a obra. Joaldo então diz que em uma reunião logo após esses fatos, Albuquerque, que nunca interferiu dizendo quem deveria ou não dar entrevista, diz: “O Cavalcante colocou no ar a Kátia que acabou desmoralizando o Poder e colocou o Judson.” Joaldo logo respondeu: “coloquei sim, porque o senhor o nomeou coordenador da obra e ele é notícia.” depois disso, Albuquerque insinuou que Joaldo teria traído a confiança dele.
“Eu não admiti aquilo e deixei bem claro... achei que estava agindo de forma correta, tinha colocado uma matéria no ar, jornalisticamente justificável e praticamente saí da reunião entregando a coordenadoria.”
Segundo Joaldo, na manhã seguinte eles se falaram e resolveram toda essa questão, voltando tudo ao normal como antes.

PERGUNTA DA PLATÉIA: - Você enquanto assessor, o seu assessorado é à instituição democrática Assembléia ou o corpo de deputados? Como você enxerga essa diferença entre a instituição e o corpo de deputados?
J.C.: - Boa parte dos Deputados possui seus assessores de comunicação, alguns nem gostam de imprensa e não escondem isso, mas a maior parte deles possui seus assessores que se relacionam com a comunicação da Assembléia e também se relacionam com o mercado, com jornalistas, com o chefe de reportagem, nós fazemos o trabalho mais holístico, o trabalho da instituição de manter o site em funcionamento, mas, com a preocupação pluralista, pois, o Parlamento é pluralista.
M.A.: - Você é a favor do diploma?

J.C.: - Sim! Exerço minha profissão com ele, e eu quero dizer que desde a implantação do curso de comunicação social no país, o jornalismo se profissionalizou e melhorou muito o seu nível e quem diz isso são pessoas que vieram de tempos em que exerciam a profissão sem a obrigatoriedade do diploma como Aldálio Dantas... Eles ficam dizendo que nós somos Chavistas, que nós somos ligados a nem sei o que, então eu desafio a eles a aplicar o modelo americano de organização do jornalismo, da comunicação em nosso país e eu me dou por satisfeito. Porque lá há uma regulamentação, há critério, eles querem desregulamentar, que significa primeiro uma grande luta trabalhista nas redações de abastardamento dos salários dos profissionais e também o outro lado, que é o lado efetivamente do controle macro da questão da comunicação, do pluralismo.
PERGUNTA DA PLATÉIA: - Qual a sua opinião sobre os jornais policiais de Alagoas e de apresentadores sem qualificação?
J.C.: - Acho que o jornalismo policial já foi inclusive muito mais complicado, porque assim como os poderes constituídos, os jornais também são o espelho da sociedade, se a sociedade começa a avançar, se a diversificação da informação aumenta e as novas tecnologias hoje funcionam para o bem, porque democratizam há um controle maior, uma cobrança maior, essa instantaneidade também é positiva por isso, há uma cobrança e essa pressão chega às redações, o que eu lamento é o ombudsman de jornal (profissional que tem a função de receber críticas, sugestões, reclamações e deve agir em defesa imparcial da comunidade.) que chegou a existir de forma pioneira no Jornal Gazeta entre 1991/1992.
Esse ombudsman tinha sido sepultado com seu uso titular, eu fiquei numa situação lamentável porque o Denis era o titular ombudsman do Jornal Gazeta. Eu fiquei por 60 dias interinamente respondendo pela coluna, e eu vejo como é importante, como a redação se sente... Isso acaba constrangendo o leitor, pois ele não sabe a quem se dirigir. Aquela brincadeirinha de coluna, mandar carta, acaba sendo algo extremamente ineficaz a demanda e as angustias do leitor de se expressar e de buscar um diálogo com os veículos, isso é ainda muito conservador. Fora os sites que tem seus comentários onde as pessoas desabafam, mas que acabam escondendo-se em um anonimato. Mais eu acho que nós temos bons profissionais e isso passa por um processo de qualificação e reciclagem e que as empresas deveriam ter responsabilidade, uma política interna de valorização dos seus profissionais, que não possuí, infelizmente.
PERGUNTA DA PLATÉIA: - Quem é o deputado estadual, autor ou foi relator das GDE’s na Assembléia Legislativa e qual o efeito dessa denúncia na atualidade para as assessorias? Por falar nisso, as assessorias de comunicação tem essas famosas GDE’s?

            J.C.: - Não, são cargos de comissão. A GDE é um desdobramento da GAPE, que é um processo que já existia quando eu cheguei lá. Agora eu me recordo que houve uma modificação e em algum momento, e isso causou até polêmica, o deputado Rui Palmeira foi relator e deu parecer favorável.
PING PONGUE

De 0 à 10, que nota você dá para a Presidente Dilma?

            J.C.: - Pra mim é uma avaliação positiva.
Sobre o governo Téo, você daria nota?
            J.C.: - RI (Rendimento Insatisfatório)
Cícero Almeida?
            J.C.: - RR (Regular)
Qual a sua avaliação do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas?
            J.C.: - RR (Regular)
Assembléia Legislativa?
            J.C.: - RR (Regular)
Na sua opinião, quais os políticos que contribuíram positivamente para Alagoas, quais você citaria?
            J.C.: - Teobaldo Barbosa, que foi o responsável em sustentar o processo de investigação, de punição dos responsáveis pelo assassinato de Tobias Granja. Tavares Bastos, que é o patrono da Assembléia Legislativa, morreu aos 36 anos, deixou cinco obras, a última, “A Província” que a gente vai tentar reproduzir.
Vamos tentar ver por outro ângulo, agora. Quais as personalidades políticas, em sua opinião, que prejudicaram bastante o nosso Estado?
J.C.: - Divaldo Suruagy prejudicou por omissão, com a Gangue Fardada, que era praticamente o comandante da Polícia Militar do Estado de Alagoas, a violência, os crimes de mando... Eu quero voltar a fazer a provocação com você, do que aconteceu no dia 17 de julho, já que a nossa população sabe muito pouco deste dia. A começar pelo Divaldo Suruagy, ao Mano, ao General do 4ª Exército. Seria bastante enriquecedor contar os momentos que você passou, no dia 17 de julho, através de um livro. Você toparia?

            J.C.: - Vamos tentar, RS.....

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