segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Antonio Pereira dá nota Zero para a Assembléia Legislativa


No início da entrevista, Mário Agra pergunta o que levou Antonio Pereira à fazer jornalismo, Toinho responde explicando que estava certo de que faria direito, mas, na hora da inscrição acabou optando por jornalismo.

Antonio Pereira fala sobre os cursos de comunicação de antes e os de hoje, contando a origem deles. Explicou que no início não existiam profissionais qualificados para ministrar as aulas dos cursos de comunicação e hoje, nas salas tem-se profissionais teóricos e poucos que realmente exercem a profissão.

Agra pergunta se é difícil fazer jornalismo em Alagoas, Toinho responde que fez um levantamento e observou que menos de cinco jornalistas em Alagoas conseguem viver bem apenas com o exercício de sua profissão, ou seja, sustentam sua família dando condições confortáveis, algo muito difícil já que o piso em Alagoas de R$ 2.300,00 é o maior do país.

Toinho afirma que hoje é possível manter um jornal sem depender das finanças governamentais, mesmo com dificuldades.

Mário Agra pergunta se é mais difícil fazer jornalismo ou assessoria de comunicação.

Antonio Pereira acredita que pare ser jornalista pleno é preciso estar no veículo impresso ou no rádio, TV, internet. O assessor faz o release e apresenta como sugestão de pauta para o jornalista.

Agra pergunta se ainda existe uma censura na imprensa Alagoana, Toinho afirma que existe sim em empresas de comunicação de Alagoas, menos na Tribuna Independente, e cita: "Jornal Gazeta de Alagoas, TV Gazeta de Alagoas, O Jornal, TV Pajuçara, o dono é quem manda... mas o pior de tudo é a autocensura, achar que o chefe não vai gostar, isso é terrível."

M.A. - você acha que existe jornalista com independência?
A.P. - Sim, por exemplo, quando você faz uma matéria que quer fazer... a pior coisa do mundo é você chegar na redação e ter uma lista de quem você deve entrevistar ou não, fotografar ou não.
M.A. - De acordo com a sua experiência, qual a notícia que mais lhe impactou?
A.P. - O caso Silvio Viana, que eu ganhei o prêmio. Eu passei cinco anos colhendo materiais e fiz uma matéria de oito páginas sobre toda a investigação que fez o verdadeiro culpado ser preso e estar até hoje.

Sobre o caso Ceci Cunha, Toinho diz que foi a primeira equipe a chegar ao local do crime e comenta que o forte do caso é que Jadielson foi reconhecido, existia um pistoleiro que não conhecia Ceci e que foi Jadielson quem apontou e este pistoleiro nunca foi identificado.

Sobre o caso PC Farias, diz que não investigou. Na época, tinha acabado de ser contratado e estava fazendo treinamento e perdeu o emprego, visto que era o jornal que melhor remunerava os profissionais, pois Paulo César Farias cobria a oferta de todos os outros jornais.

M.A. - Quando se começou a retomada da Tribuna, Pedro Collor fez uma acusação a PC, alegando que aquilo era uma sociedade que envolvia PC e Fernando Collor, você acredita que era isso mesmo?
A.P. - Com certeza! do mesmo jeito que Ceci e Talvane eram inimigos, PC e Fernando Collor eram irmãos e inimigos.

Mário Agra quer saber se é verdade que  na época havia uma importância na distribuição do jornal nos interiores, sujeito até a utilização de helicópteros para que chegasse a tempo. Toinho afirma que isso é verdade: "A intenção de PC era a partir de Alagoas, ter o maior jornal do Nordeste, Alagoas era só a base."

M.A. - O que levou a Tribuna a passar dificuldades até o ponto do fechamento?
A.P. - A partir da morte dele. Quando PC morreu, todo mundo tinha sido contratado, fazendo treinamento... tinham sido feitas dez edições internas, só para treinar, pois ele queria que fosse o melhor jornal do nordeste e ia ser mesmo, aí foi quando Augusto chamou a todos e disse: "apesar de Paulo César ter morrido, vamos continuar com o projeto", mas não foi mais a mesma coisa, era apenas uma questão de honra continuar com o projeto, em 2000 já começava a dar déficit, eles não tinham mais tara, aí passaram por Fernando Collor, arrendaram "de boca", depois Ronaldo Lessa arrendou oficialmente através do irmão e de Lucas Normande, que era o "testa de ferro" de Bob Lira e ficou até 2006... eles abandonaram o prédio e nós ocupamos e montamos a Cooperativa.

Toinho fala sobre o envolvimento de Ronaldo Lessa com a Tribuna:
"O irmão dele, Geraldo Lessa era superintendente, Lucas Normande era indicação de Bob Lira. quando nós ocupamos o prédio, eles conseguiram levar muitos documentos, mas alguns ficaram e nós conseguimos segurar dois cheques de Bob Lira emprestando para a Tribuna, dois cheques de R$100.000,00 e esses dois cheques foram suficientes para a Justiça do Trabalho colocar Bob e Ronaldo como Litisconsorte. nós conseguimos provar em primeira instância que os dois eram responsáveis pelo projeto e felizmente, na segunda instância, no pleno aqui do Tribunal, tiraram o Bob, Ronaldo Lessa até hoje continua como Litisconsorte em todo o processo trabalhista, ele é co-responsável pela falência da Tribuna, legalmente."

M.A. - Esse débito trabalhista que gira em torno de 9 milhões de reais, você acha que esse processo pode chegar a uma conclusão?
A.P. - Só se o prédio, que pertence à família Farias, for a leilão.

Segundo Antonio Pereira, a Tribuna hoje tem 64 jornalistas e gráficos, é a única no mundo que reúne a s duas categorias e tem uma folha de R$ 100.000,00 e custos mensais que totalizam R$ 260.000,00, com uma tiragem de cinco mil na semana e oito mil no domingo e ainda um déficit mensal de R$ 100.000,00. "No mês em que pagamos a folha, não pagamos os tributos e no mês que pagamos os tributos, não pagamos a folha."

Toinho diz que o setor público representa 25% do faturamento da Tribuna, o restante é o setor privado. "O Jornal, quem banca é João Lira, a Gazeta de Alagoas é financiada pela TV, a gráfica hoje representa 50% do faturamento da Tribuna". A empresa de comunicação que mais ganha dinheiro público hoje é a Organização Arnon de Mello, que deve faturar em torno de dois milhões de governo por mês.

M.A. - Como você acha que poderia se resolver o problema financeiro de Alagoas, quando se tem uma dívida gigantesca, maior do que sua receita?
A.P. - Eu estou muito pessimista... o problema todo de Alagoas é o desenvolvimento econômico, o setor sucroalcooleiro e a parte industrial... Alagoas não tem líderes nem na esquerda, nem na direita, nem do centro, nenhuma personalidade preparada para administrar o estado.
M.A. - Você pode citar quais as personalidades políticas que mais prejudicaram o estado?
A.P. - Sim, Fernando Collor, Suruagy, Guilherme Palmeira, Tomás Nonô, todos esses outros que estão no processo, Renan Calheiros e por aí vai...
M.A. - Quem você destacaria positivamente?
A.P - Estou muito pessimista e não vejo nenhuma personalidade que possa citar.
M.A. - Você disse que está muito pessimista e a nível nacional?
A.P. - Eu não sou Petista, sou "Lulista", sou fã do Lula, incondicionalmente, me emociono muito com os discursos dele.
M.A. - Dilma?
A.P. - não tem esse apego de "olho no olho", de vivência, de pobreza, ela tem todo o sofrimento da ditadura... ela é muito forte e Lula não a escolheria se não soubesse de sua fortaleza, mas ela não tem esse olhar para o humano que Lula tem, e vai ser reeleita Presidente do Brasil.

PING PONGUE

M.A. - Que nota de 0 a 10 você dá para o governo Dilma?
A.P. - 6 (seis)
M.A. - Lula?
A.P. - 7 (sete), não foi um governo pleno que ele gostaria de ter feito.
M.A. - Você acha que Zé Dirceu ainda  tem influência neste governo?
A.P. - Lula nunca foi amigo de Zé Dirceu, Dirceu era o dirigente do partido e Lula uma personalidade do Partido, no final das  contas, quem mandava no partido era Lula, mas Dirceu não tem influência nenhuma nos governos de Lula nem de Dilma.
M.A. - Que nota você daria ao Governo Téo ?
A.P. - Melhor dos piores, nota 5 (cinco).
M.A. - Bancada Federal de Alagoas?
A.P. - Collor que não faz nada, tem o Renan que está num âmbito nacional fazendo e tem o "Biu Mutreta", que ao invés de legislar fica trocando recursos nos Ministérios e Deputado Federal é mais difícil ainda. Um cara que me surpreende é Joaquim Beltrão, ele tem uma atuação parlamentar bem razoável. os outros são zero à esquerda.
M.A. - Que nota você daria para essa Bancada?
A.P. -Bem, é muito ruim essa bancada, mas eu não tiro os méritos nem os deméritos.
M.A. - Assembléia Legislativa?
A.P. - 0 (zero)
M.A. - Cícero Almeida?
A.P. - 6 (seis)
M.A. - Câmara de Vereadores?
A.P. - 4 (quatro)
M.A. - Tribunal de Contas?
A.P. - Deveria acabar e ser refeito com concurso público.
M.A. - Poder Judiciário?
A.P. - Da mesma forma, deveria ser refeito sem indicações.
M.A. - você defende a eleição para Juízes?
A.P. - Não
M.A. - e para Desembargadores?
A.P. - Sim, que o povo possa eleger.

Pergunta da platéia
sabemos da influência da imprensa na sociedade de uma forma geral... então eu gostaria de saber, o que você acha dos políticos serem donos de jornais e utilizarem isso a seu favor?

A.P. - Uns são bem descarados mesmo... mas com a eleição de Lula, foi comprovado que influenciam até certo ponto, a internet e as tradições, influenciam muito mais do que um grande veículo de comunicação, que sobrevive mais pela sua credibilidade do que por aquilo que está sendo publicado.

Pergunta da platéia 
Hoje nós vemos dois nomes do Jornalismo brasileiro como Merval Pereira e Diogo Mainard envolvidos em uma polêmica de que ambos foram informantes da Embaixada Norte-Americana sobre a situação política do país, como você, um jornalista, vê a atuação de seus colegas nesse episódio?

A.P. - Bem, Mainard não é jornalista né... e a Veja não é veículo de comunicação, ela pertence a um grupo racista da áfrica do Sul e é financiada pelo governo do estado de São Paulo. A Veja é um pamfleto à serviço para o que há de mais atrasado no País e no mundo.
Merval Pereira é um Péssimo Jornalista, as opiniões dele são as mais esdrúxulas possíveis, agora essa questão de Embaixada americana, hoje em dia um Embaixador pode convidar para jantar o jornalista "tchan" de determinado país e isso não quer dizer nada. Na minha opinião, os dois são jornalistas atrasados a serviço da direita mais ultrapassada desse país, extremamente preconceituosos do ponto de vista "classe" mesmo, odeiam pobre  e todo tipo de cultura que seja popular.

Pergunta da platéia 
você como se diz admirador de Lula, e um jornalista que defende a liberdade de expressão e de imprensa, como você vê o Lula apoiando a criação de um conselho que iria controlar os órgãos de comunicação?

A.P. - Lula não defendeu o conselho, fomos nós que defendemos, eu era vice presidente da Federação Nacional dos Jornalistas e estive no Congresso com Lula, estive com Aldo Rebelo, quem mais ajudou a gente nesse processo, então a ideia não foi do governo, foi nossa, do congresso de Manaus que tiramos essa resolução, já tínhamos pelo menos uns oito congressos de jornalistas brasileiros que tinham tirado essa resolução de criação do Conselho Federal de Jornalismo, que não é para controlar a imprensa, era para nos dar condições mínimas de trabalho. É uma profissão que precisa de regulamentação.

M.A. - Gostaria que você citasse algum fato pitoresco que tenha acontecido com você.
A.P. - Bem, foi  no governo Suruagy, as sub-delegacias tinham sido desativadas, os policiais estavam a meses em grave, eu e Sandro, que é repórter fotográfico, ficamos sabendo que um policial tinha ocupado uma sub-delegacia e a transformou em uma casa, o nosso interesse era fazer uma matéria sobre isso e nós fomos lá várias vezes, mas só encontramos fechado, então um certo dia achamos a sub-delegacia aberta e quando a gente entrou, o cara tinha transformado uma das celas em um quarto de criança, então eu iria conversando com cara até o quintal, enquanto Sandro tirava foto do quarto de criança, ele teve que usar flash e o cara viu o flash, quando eu estava contando para ele que eramos jornalistas e ele siau dizendo que tinha esquecido a arma dele na estante, então foram uns 25 minutos de tensão, até conseguirmos sair de lá.

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